20 de out de 2017

Room Anything #11: Somos feitos de amor

Em tempos de ódio, amar é resistência. Hoje eu vou trazer muito sentimento à indicação da semana, afinal, o propósito é sempre mexer no mais profundo dos nossos sentimentos (eu sou bem dessas). Quem acompanha One Piece, sabe que alguns valores na obra são fundamentais tanto para os personagens, quanto para os leitores. A amizade e o companheirismo são os mais marcantes, mas também não podemos nos esquecer de um sentimento que hoje em dia tem sido deixado de lado em prol dos nossos individualismos: o amor.

Pode soar brega? Muito. Talvez nem precisemos nos focar tanto nele, a empatia já serve e ajuda muito. Para quem não sabe, empatia é a nossa capacidade de se colocar no lugar do outro, atualmente uma atitude mais rara que pokémon shiny. A partir do momento em que sentimos dentro de nós o que o outro está vivendo, temos uma dimensão maior de que o mundo é muito diferente dos nossos individualismos.

A Psicologia me ensinou muito sobre acolher as pessoas a minha volta, mas não é preciso ter vocação ou estudar o tema para ser capaz de ter empatia. Pensando nisso, e eu espero que todos estejam me acompanhando no raciocínio até então, vamos falar um pouquinho sobre a importância da empatia e do amor tanto para quem está começando a viver, quanto para quem ainda está aprendendo (ou seja, todos nós).

O mundo é diferente. Não adianta, gente. A questão da normalidade é um conceito que você ouviu desde criancinha, seja com seus pais ou com a sociedade, e aquilo ficou na sua cabeça pra sempre. O normal não existe, ele é fruto de pessoas que têm o poder de decidir o que é certo ou errado. Mas qual seria a graça da vida se todo mundo fosse apenas uma letra do alfabeto? Sabemos que lidar com o novo é extremamente difícil, gera atrito e dá gastura. Mas também podemos crescer com coisas que não conhecemos, desde que estejamos abertos para tal. É justamente por isso que vocês precisam dar uma espiadinha em Steven Universe.

Criado por Rebecca Sugar, esse desenho a princípio parece bem infantil e sem nenhum atrativo. Mas você está disposto a se permitir experimentar o novo? A premissa, como disse, parece ser bem simples. Somos apresentados a Steven, um garoto sensível que tem uma vida bem incomum: seu pai é um músico e sua mãe, bem, sua mãe era uma alienígena que já não mais vive entre eles. Sendo um mestiço entre humano e uma "gem", Steven vive agora na companhia de três guerreiras que eram subordinadas de sua mãe, também "gems". Juntos, o grupo chamado "Crystal Gems" é responsável por proteger a Terra de grandes ameaças. Mas Steven é apenas uma criança, aprendendo sobre si mesmo, já que ele não é nem humano, nem "gem". Além disso, ele tem que lidar com sua própria insegurança, seus sentimentos aflorados e seus poderes especiais, bem como aprender a conviver com várias pessoas diferentes que habitam a pequena cidade de Beach City.

Só que, conforme passamos a primeira temporada, vemos um nítido crescimento não somente no protagonista, como em todos os personagens que acompanham sua jornada. Pérola, Ametista e Garnet, as três guerreiras, também possuem seus próprios problemas pessoais, afinal, elas declararam guerra contra a própria espécie para proteger o planeta Terra. O desenho começa a ficar ainda mais profundo quando tocamos em temas completamente pesados, mas são extremamente importantes no debate cotidiano: ansiedade, depressão, insegurança, relacionamento abusivo, padrão estético, entre outros. A grandiosidade de Steven Universe é como esses temas são abordados de maneira simples, para que as crianças cresçam aprendendo a se amar e a se respeitar, e para que nós, adultos, comecemos a criar um pouco de empatia antes de apontar o dedo, já que nem eu, nem você, nem ninguém tem uma vida perfeita sem nenhum problema.

Vale também mencionar com louvor a representatividade da série, tanto dentro como fora da animação. Rebecca Sugar já explicou que o motivo de fazer personagens com corpos tão diferentes é para simbolizar a diferença das pessoas ao redor do mundo, já que ninguém é igual a ninguém, muito diferente do que nos é ensinado nas propagandas e capas de revista. E, por fim, temos protagonistas extremamente fortes que se relacionam abertamente (não posso me aprofundar por motivos de spoiler!), que são diferentes em suas personalidades, que possuem fraquezas sim, mas que são capazes de colocar fogo no mundo por quem amam. Pra fechar com chave de ouro, Rebecca é extremamente nerd como a gente, e temos muitas referências à cultura pop, principalmente de games.

Steven Universe representa muito mais do que um simples desenho. Ele é um reflexo de que o mundo precisa começar a lidar com as diferenças antes que nós terminemos em um mundo de ódio, muito pior do que já é hoje em dia. Ninguém é obrigado a aceitar nada, mas toda educação básica começa com respeito, algo que pode progredir para a já mencionada empatia. A vida não é perfeita, obviamente sabemos disso. Mas se quisermos viver em um mundo melhor, não somente para nós, mas para as próximas gerações, precisamos começar a mudança em nós mesmos. Precisamos aprender a ouvir, a respeitar e se solidarizar com as pessoas a nossa volta. Isso o Oda nos cansou de ensinar com Bon-chan, Jinbe e os mugiwaras. Se não estivermos praticando isso no nosso dia a dia, então estamos botando nosso afeto nas obras erradas.

Vou deixar minha música favorita como gostinho, ela fala muito sobre o quanto o amor é mais forte do que qualquer outro sentimento. É simplesmente maravilhosa. Na próxima coluna, vamos dar uma pausa nos sentimentos calorosos e vamos vivenciar emoções mais tensas, que coincidentemente batem sempre com o mesmo número. Ah, e sabe aquele ator que a maioria acha que só faz comédia? Bom, ele fez filmes adultos também! E vamos descobrir qual é semana que vem! |x|


 
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