13 de out de 2017

Room Anything #10: dividir o apê nunca é fácil

Poucas pessoas assistem a documentários, eu inclusa nessa afirmação. Porém, todos nós em algum momento já paramos para assistir algum documentário famoso, nem que seja na escola, em casa vendo programas sobre animais ou até mesmo para dar uma checada nos nomeados ao Oscar. O que nós nunca vimos (e eu aposto isso com todos vocês) é um "mockumentary", uma espécie de zoeirumentário, em tradução livre. "Mas Clari, que raios é isso?"

Bem, pra resumir, é um documentário de comédia. Um nome que eu posso citar para este tipo de filme é Zelig, de Woody Allen, no qual o personagem principal muda a forma de seu corpo para agradar outras pessoas. O formato do filme é um documentário, mas o filme é tão irônico e improvável que acaba se tornando uma comédia. É o mesmo caso da indicação da semana, porém infinitamente mais engraçado, e eu não estou exagerando, afinal o filme entrou pra lista das 100 melhores comédias de todos os tempos!

Bem, vamos falar um pouco sobre o enredo: na remota cidade de Wellington, Nova Zelândia, alguns produtores resolveram conhecer um pouco mais sobre a vida de quatro amigos que dividem um apartamento. Até aí, tudo normal. O problema é que esses quatro amigos não são pessoas comuns, ele são... vampiros! Isso mesmo, o zoeirumentário vai mostrar como é ser vampiro nos dias atuais e como eles passam seus dias na capital da Nova Zelândia, ou O Que Nós Fazemos nas Sombras, no original What We Do In The Shadows.

À primeira vista, o título e o enredo podem parecer estranhos, até mesmo clichê. Mas é justamente aí que reside toda a genialidade da obra. Eles conseguem zombar desde clássicos como Nosferatu até vampiros que brilham vulgo Crepúsculo. À princípio, somos introduzidos aos quatro vampiros principais: Viago, o engomadinho de 379 anos que veio para Wellington em busca de seu amor; Vladislav, o terrível e poderoso vampiro que adora empalar seus inimigos, porém hoje em dia já não é mais lá aquelas coisas; Deacon, o vampiro mais novo da casa, considerado o rebelde; e finalmente Petyr, um protótipo de Nosferatu de 8000 anos de idade que come galinhas no café da manhã.

O documentário mostra dilemas básicos do cotidiano dos vampiros, como organizar quem lava as louças sujas de sangue, convencer a criada Jackie a trazer vítimas para o jantar, a rixa com a gangue dos lobisomens e até mesmo escolher roupas para o badalado final de semana em Wellington (o que pode ser extremamente difícil para um vampiro já que eles não se enxergam no espelho). O documentário também mostra a jornada até o Baile Profano, um baile anual importantíssimo que reúne todas as criaturas da região para uma noite de festança.

O filme é de 2014 e é dirigido pelos meus amores brilhantes Taika Waititi e Jemaine Clement. Eu já falei sobre o Taika aqui na coluna, ele foi escolhido como diretor de Thor: Ragnarök, e o Jemaine eu fiz uma rápida menção quando falei sobre Rick e Morty. Ambos são excelentes comediantes e atores, vocês podem conferir o trabalho deles na série de humor Flight of the Conchords, mesmo nome da banda do Jemaine com o Bret McKenzie. Além de ambos serem co-diretores, eles também atuaram. Viago é interpretado por Taika, enquanto Vladislav é interpretado pelo Jemaine.

A obra é incrivelmente elogiada e comumente tachada como "hilária". A trilha sonora é incrível e ácida ao mesmo tempo, a atuação é uma pérola e a simplicidade do enredo não deixa a desejar em nada na hora de prender o telespectador. Sabe aquele humor típico e bobo de Hollywood, presente nos filmes do Steve Carell ou do Adam Sandler? Esqueçam tudo isso, o humor neozelandês é um novo ápice de humor. Diria até mesmo que o humor deles se daria muito bem com o nosso, deve ser por isso que amei tanto o filme. Vale lembrar que vocês terão uma palhinha desse humor no filme do Thor, que, segundo as reviews, também está hilário do começo ao fim, cortesia do meu querido Taika Waititi.

"Uma xícara fantasma!"
Se vocês quiserem rir este final de semana, essa é a indicação ideal. Como sempre, deixarei o trailer. Juro que tentei achar legendado em português-br, mas pensa em uma coisa underground: é esse filme. Ao menos, achei legendado com português de Portugal. E o filme está lindão lá no catálogo da Netflix, inclusive na lista de filmes aclamados pela crítica! Corram pra conferir e rir muito, é uma pérola! Semana que vem, vamos pegar um pouco mais leve e falar sobre pedras preciosas, problematizações pertinentes e muita delicadeza regada a sentimentos. Até semana que vem e cuidado com os vampiros neozelandeses! |x|


 
Copyright © 2014 Um Pedaço. Design por OddThemes