15 de set de 2017

Room Anything #6: Pines são melhores que Winchesters

 
E quem discordar está errado! Mais uma semana, mais uma indicação para vocês, meus queridinhos! Perceberam que eu gosto bastante de mistério, fantasia e sobrenatural, né? Hoje nós vamos juntar tudo isso em um caldeirão, e garanto que a mistura é ótima!

O intuito da Room Anything é falar sobre coisas que não estão tão na mira das modinhas hoje em dia, mas dessa vez eu vou ter que abrir uma exceção. Obviamente, essa obra é bem mais popular lá fora, embora não quer dizer que ela não tenha seu devido reconhecimento por aqui.

Antes de começarmos, vamos ter que quebrar um estereótipo (cada dia um estereótipo sendo quebrado por aqui, é assim que tem que ser). Inclusive, eu era uma dessas pessoas que achava que não se faziam mais desenhos como antigamente. E realmente, não fazem, porque os tempos mudam, as gerações mudam e, com elas, o entretenimento. O que muitos não percebem é que não quer dizer que o novo seja ruim. A nova leva de desenhos animados pode parecer estranha à primeira vista, sem graça ou até mesmo muito cheia de vida. Justamente por isso, a primeira indicação de desenho animado que eu vou fazer (Rick e Morty não conta pois é voltado para o público adulto!) tem um clima mais pitoresco.

Quem está acostumado a algumas séries mais antigas, de cidades americanas pequenas em regiões florestais, talvez entenda um pouquinho essa ambientação. Temos até um exemplo recente, como Stranger Things, mas podemos dar um salto até Twin Peaks (inclusive sendo referenciada em um easter egg). É nessa ambientação que encontramos a misteriosa cidade de Gravity Falls


À primeira vista, Gravity Falls não tem nada de novo. Uma cidade pequena com pouquíssimas coisas para se fazer. Por este mesmo motivo, os pais de Mabel e Dipper Pines os enviam para a casa de seu tio-avô (ou tivô para os íntimos) Stan Pines, para passarem as férias de verão. Stan possui uma cabana chamada Cabana do Mistério, onde ele vende artigos falsos sobre seres sobrenaturais a fim de tirar dinheiro dos turistas. Na cabana também trabalham Soos, o garotos dos reparos, e Wendy, a atendente badass nas horas de necessidade.

Mabel e Dipper são irmãos gêmeos, mas são muito diferentes em vários aspectos. Mabel consegue se adaptar bem, já que é uma garota alegre e sociável. Já Dipper é mais contraído e gosta de passar o tempo lendo livros de mistério. A história começa quando, acidentalmente, Dipper encontra um misterioso diário escondido nas proximidades da Cabana do Mistério. Na capa do diário há uma mão dourada com seis dedos e o número "3" escrito nele. Seu conteúdo é ainda mais estranho, pois descreve seres sobrenaturais que habitam a região, bem como se defender de alguns deles. O nome do autor do diário está rasgado, o que apenas aumenta a curiosidade de Dipper.

Ao mesmo tempo, Mabel encontra um namorado um tanto quanto... "esquisito". Dipper, ao pesquisar o diário, acaba concluindo que o namorado de Mabel é um zumbi, e precisa desesperadamente provar que ele está certo antes que o zumbi faça algo com Mabel. Mas será que ele é mesmo um zumbi? Pra descobrir, vocês precisarão assistir!

Nos primeiros episódios, a narrativa parece não ter uma cronologia, mas engana-se quem pensa que os episódios não são importantes para o conjunto! Episódio por episódio, somos apresentados a novos personagens que vão se construindo ao longo da trama, sejam seres sobrenaturais, sejam pistas sobre o maior mistério de todos: o autor do diário e onde ele está.

E, obviamente, com o tempo, vamos junto dos irmãos descobrindo pouco a pouco dessa misteriosa região. E os perigos crescem na mesma proporção, claro. Não apenas monstros ou pessoas genuinamente ruins, mas algo de muito mais assustador paira pela cidade. Um mistério tão antigo quanto a existência da humanidade, e que está prestes a retornar. Muito mais do que isso, esse perigo está diretamente ligado ao diário. Curiosos para desvender isso? Bem, só assistindo para descobrir!

Além de todo o clima de suspense e mistério, Gravity Falls tem muito mais a oferecer. As pitadas de humor são incríveis, e não podemos deixar de mencionar as referências à cultura pop: vamos desde bandas pop dos anos 90 ao estilo Backstreet Boys, paródias de clássicos como Dancing Queen do ABBA, jogos de video game retrô como Mario e Street Fighter, animes de mecha, até elementos de fantasia como jogos de RPG, memes de Senhor dos Anéis e ao próprio trono de ferro de Game of Thrones. Subiu aquela satisfação geek só de ler, né? Pois bem, o criador Alex Hirsch, além de ser incrivelmente nerd e talentoso, também dublou boa parte das vozes dos personagens. E o trabalho dele é incrível!

Além disso, conforme vamos acompanhando o crescimento da narrativa, vamos conhecendo um pouquinho mais da família Pines. E sinceramente, eles não decepcionam! Uma das premissas mais importantes de Gravity Falls é a importância da família, inclusive, algo super explorado e bem trabalhado de uma maneira leve. Outros elementos importantes, apesar de secundários, são inclusões de minorias de forma tão sutil e até mesmo engraçada que parece natural (o que é o intuito, obviamente).

A série foi muito bem finalizada sim senhor, com duas temporadas contendo 20 episódios cada. Você pode até achar que algo finalizado é bom, porque como leitores de One Piece, sofremos todos esses anos. Mas infelizmente Gravity Falls deixa um gostinho de "quero mais". Não existe alma viva que não sinta isso ao final do último episódio. Alex Hirsch, pra nossa tristeza, encerrrou a obra exatamente como queria e não tem planos de retomá-la. O que nos resta é guardar essa delicinha dentro de nossos corações assim como Mabel e Dipper guardaram essas férias de verão em seu álbum de fotos. E nossa, como vale a pena guardar estas memórias...

Deixarei um vídeo da abertura, para atiçar a curiosidade mesmo! Na minha opinião, é uma das melhores coisas que eu já assisti na vida e continuo assistindo vez ou outra. Acho que vale a pena cada minuto! Por fim, na semana que vem, vamos falar um pouquinho sobre o famoso efeito borboleta. Aqui ele está mais do que nunca em evidência, só que de uma forma muito mais engraçada e surreal. A dica é: tudo está conectado. De verdade. Até semana que vem, pessoal! |x|



 
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