1 de dez de 2015

[ESPECIAL UM PEDAÇO] A Trajetória de One Piece no Brasil



One Piece está em circulação há 18 anos no Japão e, para muitos, é uma obra recentemente descoberta. Dentro até mesmo da equipe da Um Pedaço, há membros que conhecem a história há pouco mais de um ano e tiveram a coragem de acompanhar centenas de episódios e capítulos. Mas pode parecer brincadeira quando pensamos que One Piece no Brasil também não é tão novo assim. Inclusive, muitos fãs mais novos sequer tiveram a experiência de viverem a época em que One Piece foi lançado pela primeira vez, em 2002. E a ideia aqui é justamente contar um pouco como foi essa época e também de como foi o passar dos anos dessa obra por aqui, e como foi o crescimento do fandom, que existe, por mais louco que possa parecer, há mais de 13 anos. 

Antes disso, recomendo que vejam o documentário sobre a trajetória de One Piece, pois esse texto é um complemento de tudo isso. Eu mesma, Paloma Lourenço, conheci One Piece através do mangá da Conrad, assim como Will da piecePROJECT, o Dios, que é tradutor de One Piece da Panini, o Ansem da Opex, e o Iury, ilustrador profissional e membro da Um Pedaço. O início do fandom de OP se iniciou em paralelo ao crescimento do mercado de mangás, que começou em 2000 com Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball. 



Mas é de se imaginar que a diferença de sucesso entre One Piece e CDZ e DB era brutal na época. O Dios nem tinha ouvido falar do mangá, nem eu, nem o Will, praticamente ninguém sabia que One Piece já estava vendendo bem no Japão e era um sucesso estrondoso. Foram cinco anos para One Piece chegar aqui, e no Japão, a história já estava mais ou menos em Alabasta. Então imaginem que as pessoas que compraram One Piece, basicamente, compraram às cegas, com algumas exceções, como o caso do vlogger Nihill, que já tinha um amigo que conhecia One Piece no Japão falava a respeito da história. One Piece não passava na televisão, não tinha mais nenhum produto sendo comercializado a não ser o mangá. Resumindo, não existia referência para saber se a história era boa mesmo ou não, se valia a pena comprar ou não.

Edições de One Piece da Conrad (coleção de Iury Padilha)
E mesmo assim, hoje, muitos fãs que trabalham com a obra (seja profissionalmente ou como fã), se aproximaram e conheceram One Piece há mais de uma década atrás, mesmo sendo uma edição meio-tanko* da Conrad, mesmo com problemas de tradução por ser o início do mercado, mesmo sem saber se o mangá teria um final (risos). Portanto, é necessário salientar que a época em que One Piece foi lançado pela Conrad teve sua importância, com ela se construiu o fandom pela primeira vez, e esses fãs carregaram o material até ser cancelado pela Conrad oficialmente em 2010. Na realidade, o mangá estava indo mal das pernas entre 2007 e 2008, quando saía uma edição no começo do ano e outra seis meses depois, ou mais. Para chegar na edição 70 já foi um sacrifício, e depois dela, nada mais de One Piece saiu pela Conrad.

Mangás da Panini (coleção de Arthur Gera)
Na bienal de 2010, eu e o Tevo, que era da piecePROJECT e trabalhava como scanlator também na extinta Okashi Scans, conversamos com um dos organizados do stand da Conrad e as informações dele não foram nada animadoras. Faz cinco anos que isso aconteceu, mas lembro claramente das palavras dele. “Estamos tentando fazer um novo contrato, mas é complicado. One Piece se popularizou bastante e financeiramente ficou inviável”. Meses depois, veio a notícia de que o mangá havia sido cancelado de fato. 

Apesar disso, a internet conseguiu suprir a falta de One Piece nas bancas, as leituras online e os downloads dos episódios ajudaram muitos fãs que não conheciam o mangá da Conrad. Então, ao invés do fandom diminuir ou ser esquecido, ele cresceu cada vez mais. Os fãs antigos viram uma espécie de “revolução”, membros novos a cada dia, pessoas perguntando sobre a história, seja para o bem ou para o mal. Hoje, a maioria dos membros ativos da Um Pedaço são dessa leva de cinco anos pra cá, inclusive. 

Figures de One Piece (coleção do Mugi)
A internet possibilitou que o fandom não morresse, e assim, em 2012, a Panini trouxe One Piece novamente, de forma bem distinta da época da Conrad. Artes visuais diferentes, tradução diferenciada, finalmente em formato original, e com possibilidade de assinatura. Não que isso signifique que seja um material perfeito e impecável, mas que certamente cumpre com seu propósito: a aceitação dos fãs. E a edição da Panini foi tão aceita, que pela primeira vez na história pudemos ter materiais extras da obra, coisa que um fã lá de 2002, jamais imaginaria ter em mãos. 



Essa trajetória ainda pode render inúmeras histórias de cada um que passou por alguma dessas fases. Como o Iury que tem apenas as edições antigas da Conrad, como o Arthur, que está lutando para terminar a coleção dele da Panini, assim como o Otávio, que apesar de conhecer a muitos anos, também não possui recursos financeiros para ter toda a coleção. Assim como o André que fez um esforço de ter uma única coleção de mangá: One Piece. Assim como o Mugi, que recebeu a indicação do primo anos atrás e simplesmente viciou em One Piece a ponto de rever o animê inteiro em quase todas as férias que tira. Ou como eu, que comprou três edições número 1 da Panini de tão feliz que ficou, e que assinou o mangá na primeira oportunidade, mesmo reclamando do atraso da Panini. E é, eu também tenho toda a coleção da Conrad. 

Mangás da Panini e Blue Databook
(coleção de Otávio Pereira)
E não somente história de fãs, como momentos e dificuldades, quem não lembra do buraco de tradução que existia entre Enies Lobby e começo de Thriller Bark no mangá? Fãs de 2008 só podiam baixar o animê, pois não tinha ainda o mangá traduzido por scans. Além dos fãs de One Piece nessa época serem alvo de chacota pelos fãs dos outros mangás que faziam mais sucesso por aqui, o que rendia discussões imensas de cada um defendendo sua obra favorita, vezes de forma saudável, outras nem tanto...

Enfim, ao perceber, parece que 13 anos passaram voando, que não faz tanto tempo assim. E imaginar que um dos membros da nossa equipe tem praticamente essa idade (Gi )!!! Eu, assim como muitos outros fãs, pude presenciar esse crescimento todo do fandom e do sucesso de One Piece no Brasil. Mesmo com os problemas de desrespeito, infantilidade e brigas por assuntos específicos, o que ainda é uma realidade que não deve ser negada, continuo com a esperança de ventos positivos. One Piece sempre trouxe ensinamentos riquíssimos que conseguimos absorver no nosso cotidiano. E, não querendo puxar sardinha para cá, mas a Um Pedaço tem se mostrado bem propensa a ter esses ventos positivos.

*: metade da edição original japonesa, ou então metade da edição da Panini

Plesente final cheio de mangá hohohoho
 .
 
Copyright © 2014 Um Pedaço. Design por OddThemes