31 de jul de 2015

[Análise] Nico Robin e as Pétalas de uma Flor


Por Paloma Lourenço

Como eu quase não falo da Robin por aqui, minha vez de falar dela. O Iury já fez um post sobre seus personagens favoritos, e ele também é fanzaço da Robin! Dá uma lida também: Top 5 do Iury – Parte 2

No Facebook eu realmente falo demais da Robin, alguns anos atrás resolvi até escrever tudo que eu achava dela. No entanto, lendo o texto hoje, parece não ser o bastante para definir o quanto acho a Robin espetacular como personagem¹. 

Claro que para quem não gosta naturalmente dela, esse texto não vai servir de muita coisa, mas é possível que traga outro olhar para quem quer saber mais da personagem (ou não). 



Conversando com o Iury por algumas horas, chegamos mais ou menos num consenso de como definir a Robin. Conversa vai conversa vem até que veio a comparação entre Robin e pétalas de uma flor. E no fim, vimos que fazia muito sentido.

A Robin comeu a hana hana no mi, a fruta da flor. Com esse poder, ela é capaz de criar membros do seu corpo em qualquer uma superfície. E na verdade, mais que isso, aparentemente ela consegue clonar membros, pois vimos que na luta do Kyros/Rebecca vs Diamante ela criou mãos no ar para mudar a direção da arma do Diamante, quando ele atacou Rebecca. De toda forma, ao ver que a flor representa o poder da Robin, nada mais justo do que fazer uma comparação metafórica com a personagem. 

Bom, não sou bióloga nem nada disso, nem quero complicar a cabeça de vocês, então usarei apenas informações básicas de uma flor para me justificar. A flor é formada por quatro principais características: Antera, Pistilo, Corola e Cálice. A imagem abaixo explica melhor. 

A parte que importa para nós é a corola, que é formada pelas pétalas. Sabemos que o Oda utiliza muitas referências para fazer seus personagens, então levanto a pergunta: por que a escolha de Eiichiro Oda foi a hana hana no mi? 

 Lembrando que essa pergunta pode ter inúmeras respostas, e o que eu escrever aqui pode não ter nada a ver com o que o Oda pensa da personagem. Mesmo assim, essa pergunta foi levantada para chegar ao primeiro passo do texto, que é uma visão pessoal. Antes de qualquer outra coisa, vocês podem não concordar.

De acordo com a imagem que coloquei logo acima, existe na estrutura de uma flor um conceito muito legal chamado perianto. O que diabos é isso? É o conjunto formado pelo cálice e a corola. Perianto vem do grego, Peri que é "em torno", e anthos, que significa "flor". Matutando sobre o significado que isso poderia ter, levantei quatro sentidos para poder seguir em frente no texto, seriam eles: "armadura", "base", "esqueleto" e "sustentação". Biólogos vão me matar, mas estou realmente pensando com o coração do que em função biológica hahahaha. 

De toda forma, se levarmos esse conceito para o jeito em que a Robin luta, e até mesmo em relação à sua personalidade, não é que faz sentido? Vamos aos pontos!



Robin vs Yama - Capítulo 265
Uma boa parcela do fandom acredita que a Robin nas batalhas é uma espécie de suporte, ela não está na linha de frente. Na verdade ela auxilia de modo geral seus companheiros e só se portará como uma combatente quando estiver sozinha, como foi o caso de Sky Piea, lutando com o Yama. Porém, esse caso foi uma exceção. Ainda em Sky Piea, além de usar seus poderes para escapar da Nora (a cobra milenar), ela auxiliou Nami várias vezes, assim como se responsabilizou de levar Chopper, Zoro, Gan Fall e Wiper até próximo do pé de feijão quando foram derrotados por Enel.

         Em Enies Lobby, ela lutou em conjunto com seus amigos e era a única capaz de levar o Luffy para o mar, utilizando a Delphinium.


Robin salvando o Zoro - capítulo 470

Em Thriller é ainda mais claro, quando ela faz a rede para segurar Zoro no meio da luta contra Oars. Na mesma saga, ela serviu de apoio para Chopper dar o golpe final no Hog Back (que não deu muito certo por causa do Oars). Em Dressrosa ela se prontificou a proteger todos, a tomar a iniciativa de ser uma espécie de armadura, o que já tem muito a ver com sua personalidade.

 Essa personalidade foi muito mais explorada em Dressrosa do que em outras sagas, e que mostra uma evolução atual tremenda da personagem (time skip olar, kd você?). Antigamente a Robin não falava muito nem com seus companheiros de bando, mas suas ações já demonstravam sua preocupação em ser uma "sustentação" aos seus amigos. Novamente cito a preocupação dela em levar os feridos até próximo ao pé de feijão em Sky Piea ou quando ela diz para apagarem as fogueiras para não serem alvos de algum perigo. Quando ela tomou a iniciativa de encontrar Usopp no mar branco-branco em Sky Piea também é um bom exemplo. Na verdade a Robin sempre foi (e é) a personagem que avisa de perigos iminentes. 


Aquela personagem que bateu numa princesa em Alabasta, 
agora protege outra em Dressrosa! - Capítulo 766

Em Dressrosa é até espantoso ver que a aquela personagem fechada e fria comprou a briga dos anões com a família Don Quixote, que se doou totalmente à missão, e se tornou um brinquedo justamente tentando proteger seus colegas. Quando voltou ao normal, tomou a iniciativa de levar a chave para o Law e ir junto com Rebecca e Bartolomeo para os campos floridos, no palácio real. O plano deu errado e qual foi a primeira atitude da Robin? Ela impediu Gladius de atacar Luffy e disse que ninguém o machucaria. Em seguida, se preocupou com a Rebecca que tinha ido sozinha aos campos floridos. E FOI LITERALMANTE uma armadura para ela, chegou a se ferir feio por isso. O que quero dizer é que hoje ela expressa essa preocupação em palavras também, não só agindo nos bastidores.

Fazendo uma comparação metafórica/semiótica, muita coisa faz sentido (estou até assustada com as semelhanças). Mas isso é só a ponta do icerberg (olar Labbon e Iceburg-san q), o perianto foi apenas uma forma de visualizar a personagem Robin no geral, e como podem ver, isso tudo não faz dela uma personagem profunda e complexa que eu falo tanto na página da Facebook da Um Pedaço (e no canal do YouTube ou no Fórum Um Pedaço). Bem, faltam as pétalas.

Pétalas

Chegamos ao que é importante! Sim, depois de muito pensar, a definição mais próxima que cheguei da Robin foi de compará-la com pétalas de flor. Bem, isso porque uma pétala é uma faceta da Robin. Irei explicar melhor isso com exemplos. 


Até então na história, a Robin se mostrou ser uma personagem misteriosa, estratégica, corajosa – no sentido de não temer agir, ter uma confiança no próprio taco -, afetuosa, determinada a se doar por um ideal, sensível, cruel e racional. Posso até ter esquecido algo. Cada faceta dessa é uma pétala que representa a Robin e, no momento que analisamos cada pétala, é que vemos quão profunda ela é e o quanto foi se moldando como personagem no decorrer da história. É dessa forma que acredito que a Robin pode ser melhor analisada, pelos seus detalhes, e aí partimos para o conjunto da obra. Essas pétalas podem ser mais analisadas conforme relemos a história, então cada ponto que eu levantar aqui com toda certeza pode ser aprofundada numa discussão.

Pétala 1 – Mistério 

A Robin começou como uma personagem difícil de entender. Apareceu pela primeira vez explodindo o navio de fuga do Igaram e depois invadindo o Merry, falando inúmeras suposições – você pode reler isso no volume 13, capítulo 114.  

Poneglyph que fala de Joy Boy na Ilha dos Tritões - capítulo 628







Na saga de Alabasta inteira ela foi um tipo de agente duplo, vezes ajudando os mugiwaras – seja diretamente salvando o Luffy, ou indiretamente, não relatando ao Crocodile a quantidade real de membros que o bando possuía, afinal, ela tinha conhecido Sanji na primeira vez em Whisky Peak – e por vezes sendo cruel com Vivi, Pell e Nefertari Cobra para chegar ao seu objetivo final, a Poneglyph. Qual era o lado que ela estava? O que ela queria ali no fim das contas? De onde ela surgiu? E para piorar, uma personagem questionável como essa entrou para o bando.  

Definitivamente tudo isso era nebuloso para nós. E apesar de irmos aprendendo com o tempo a personalidade da Robin, ainda hoje podemos pensar que os objetivos dela ainda não são totalmente claros. O que ela de fato aprendeu com os revolucionários que vai ajudá-la na jornada para achar a Rio Poneglyph? O que ela tirou de fato de aprendizado com a Poneglyph de Joy Boy? Algumas informações o Oda faz questão de deixar no ar para no futuro usar de forma que a Robin soubesse o tempo todo daquilo. Exemplo: Ao ler a poneglyph de Sky Piea, é muito provável que foi lá que teve a pista para a poneglyph da Ilha dos Tritões (ela sabia até a rota), mas na edição ela não citou a Ilha dos Tritões, só a arma. E ela é também misteriosa para o bando, até então ninguém sabe que ela ficou um bom tempo com o pai do Luffy no time skip, e também ninguém sabe que ela ouviu a história da tortura do Zoro em Thriller Bark. Ela sabe ser reservada e falar o que é necessário, digamos assim. 

Pétala 2 – Estratégica


Naturalmente o poder da Robin (a hana hana no mi) tem uma característica muito clara de estratégia. Não é um poder que você utiliza força bruta, não é um poder visual impactante, onde sai sangue pra todo lado e enfim. É uma habilidade muito técnica e muito sutil, rápida. 

E essa habilidade se mescla com a própria personalidade da Robin, ela absorveu o uso estratégico desse poder e além disso usa sua inteligência para lutar. Com certeza isso tira a personagem da linha de frente no combate, mas de maneira alguma tira o fato de que é um poder útil, eficaz e até ilimitado, pois ele mexe com submissão – força e velocidade não são nada para ela - e com criação de membros (e ainda tem o clone). Resumindo, se o Oda quiser, Robin pode evoluir tremendamente nesse quesito e se manter estratégica. Além de ser útil para espionagem, o que é perfeito para explicar como ela sobrevive fugindo do Governo Mundial! 
Pétala 3 - Corajosa

Não é qualquer pessoa que foge do GM há 22 anos. Não é qualquer pessoa que tem coragem de dar um golpe (ineficaz) em um almirante ao invés de fugir dele (Aokiji não gostou muito e congelou metade da tripulação :v). Não é qualquer pessoa que resolve agir e pega logo no pescoço de um shichibukai e usa o clucth sem dó (Moriah sentiu dor pelo menos). E isso são só alguns exemplos básicos. Robin normalmente não perde tanto a calma numa luta e nem em situações muito adversas, como foi em Thriller Bark com as sombras perdidas ou quando a Camie foi sequestrada em Sabaody. Isso mostra que a personagem tem uma facilidade em se apresentar nas horas difíceis e se superar durante a história contra os adversários. 
"Vai ter de me enfrentar" WOOO - Capítulo 320
 Pétala 4 – Afetuosa

Isso é um pouco mais sutil de observar na história, mas com o tempo, o tratamento da Robin perante aos seus companheiros de bando foi mudando. Antes ela chamava todos do bando com o apelido (menos o Luffy), e após tudo que houve em Water Seven/Enies Lobby, ela começou a chamar todos pelos nomes, inclusive o próprio Oda falou dessa mudança em SBS. 

Deixar aqui a pergunta do leitor e a resposta do Oda. Isso ocorreu na edição 49 de One Piece: “Tenho uma pergunta para você. No capítulo 460 do volume 48, a Robin chama a Nami de Nami-chan, mas até esse momento ela só a chamava de navegadora. A Robin mudou seus sentimentos em relação ao bando?”
Oda: Muitos leitores perceberam isso, o que me deixa realmente feliz. Neste volume, no capítulo 475 a Robin terá uma fala assim: "Nami, você está bem?" Basicamente, parece que ela vai passar a chamá-la pelo nome de agora em diante e vai tratar do mesmo jeito o resto da tripulação. Após o incidente em Enies Lobby certamente passou a entender o verdadeiro significado de ter companheiros e abriu seu coração. Apesar da história ficar cada vez maior e complexa, planejo sempre poder desenhar e escrever sobre essas pequenas, porém importantes interações humanas.

Comida na boquinha weeeee - capítulo 655

Além disso, depois de um tempo fomos percebendo que a Robin se apegou bastante ao Chopper e à sua fofura também, no entanto que em Punk Hazard ela ficou em choque quando viu Franky “violando” a fofura do Chopper quando Law trocou os corações. E por que não lembrar do banho no Momonosuke e dela dando comida na boca do Luffy? O que antes víamos uma personagem mais fria e retraída, depois do time skip ela voltou bem mais afetuosa.

Pétala 5 – Determinada

Não é qualquer um que compra o sonho de um povo todo (saber a história do século perdido) e o carrega durante 22 anos, sabendo que esse sonho é considerado um dos crimes mais graves do mundo. O ideal da Robin é um dos mais marcantes de toda a história, fazendo até mesmo nós como fãs entendermos o motivo do choro dela em Alabasta, quando acreditou que seu sonho jamais seria realizado. De ver a esperança renovada quando encontrou o Eldorado. Só de carregar o legado de uma terra varrida do mapa por uma das potências mundiais que deveria proteger todos...Precisa ter muita vontade mesmo de levar adiante um sonho dessa magnitude. 

Pétala 6 – Sensível

Talvez essa seja a faceta mais difícil de falar da Robin. Desde pequena ela precisou criar um muro impenetrável para seguir em frente, para não ter dó de ninguém, para não confiar em ninguém, afinal, todos podiam ser seus inimigos. Em todos os lugares em que pisou, teve de encarar pessoas inescrupulosas e frias, sem nenhuma compaixão. Mas no bando foi tudo diferente. E a partir disso começamos a ver seu lado emocional e que faria tudo pelo bem-estar de seus companheiros. Uma Robin preocupada, sensibilizada por todo o esforço que seus companheiros tiveram para salvá-la e por poder admitir que agora faz parte de uma família, que se sente fazendo parte de algo.

Depois de Enies Lobby pudemos ver uma evolução incrível da Robin no quesito emocional, isso é tão claro que ela se tornou bem menos pessimista e faz questão de ajudar e proteger e torcer por seus amigos e aliados.

Pétala 7 – Cruel

É até estranho falar que uma heroína é cruel, mas Robin foi uma personagem tão destoante da história que é possível defini-la também como uma personagem cruel.


Nem parece mocinha, né? - capítulo 170

No começo de Alabasta isso era ainda mais claro, todas as frases e insinuações para Vivi e os mugiwaras eram bastante “vilanescos”, sem contar que parecia ser uma pessoa de sangue frio, que agia sem se preocupar em quem estava atacando, podendo ter uma recompensa ainda maior ou sofrer alguma represália posteriormente - ela derrotou um grupo de soldados marinheiros e a Tashigi em segundos simplesmente porque estavam em seu caminho e falaram merda de seu passado. 

Quando finalmente entrou no bando chegou a dizer que sua especialidade era “assassinato”, e rapidamente pudemos ver que ela não brincava em serviço, em Mocktown ela amedrontou todos de um bar apenas para pegar o mapa da cidade, que acabava por indicar a casa de Montblanc Cricket. Em Sky Piea ela não teve dó de seus adversários, pior, menosprezou todos eles. E até hoje ela faz o uso da ironia e da esperteza para “brincar” com seus inimigos (Trebol e Hakuba são bons exemplos). Em Water Seven, atirou no Iceberg pois não mediu consequências de proteger seus amigos.



Pétala 8 – Racional

Parece contraditório defini-la como uma personagem emotiva e sensível e também racional. Para falar a verdade a Robin sabe muito bem equilibrar os dois sentimentos. Em diversos casos ela usou a razão para se justificar ou simplesmente conversar.

Logo quando ela entrou no bando, teve o caso da tartaruga gigante comendo os trajes de mergulho do trio monstro, em que a Robin comenta que se ninguém cortar as cordas, o barco obviamente será levado junto. Há o caso da explicação da bússola apontada para cima, onde ela foi enfática para Nami, dizendo que o ponteiro indica que existe uma ilha. Entre tantas outras abordagens onde a Robin é extremamente racional e certeira, objetiva.
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Isso são só alguns pontos que eu pude levantar da personagem, talvez haja outras pétalas que a completem ainda mais, mas creio que por enquanto, para poder entender mais a personagem, é o bastante. Fica uma menção honrosa ao Iury pelo desenho de apresentação do texto e também por ter me ajudado a visualizar toda essa análise. Espero que tenham gostado e até o próximo texto!


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