23 de fev de 2015

[Kokoro No Hana – Flores do Coração] Capítulo 02




Capítulo 02 – Visão de Robin – Jornal Diário
(História concomitante com o capítulo 762)


*16 anos atrás em uma ilha deserta*

Há seis anos fujo do Governo Mundial...Me pergunto todo dia se essa perseguição irá acabar. No começo não entendia direito o motivo de eu ser visada por eles. Hoje, com 14 anos, creio que consigo entender. Encontrei uma nova poneglyph aqui no West Blue e tudo indica que há informações que o Governo esconde do mundo todo. Ainda tenho um longo caminho a trilhar. Clover e minha mãe sabiam muito mais sobre a história e não estão neste mundo para ajudar a combater essa grande ameaça chamada Governo Mundial...Me sinto perdida, não tenho o mesmo conhecimento que eles tiveram,  não sei como realizo o pedido de minha mãe

Robin por um instante parou de escrever. Olhou para seu caderninho de anotações e releu seu texto. Bufou. Estava cansada de trabalhar com piratas e malfeitores, de convencer pessoas – se é que pudessem ser chamados assim - em negociações no submundo. De toda maneira, sentia ainda mais fadiga por ter de descontar suas frustrações em um caderninho. 

Jogou seu lápis em cima da escrivaninha, fechou o caderno, colocou em sua mochila e saiu de seu dormitório. Ela estava em uma ilha deserta, local perfeito para escapar. Tinha bolado o plano de fuga há dois dias. No momento, todos os tripulantes estavam desacordados, ou pelo menos, deveriam. Robin inseriu sonífero na bebida de cada um e era hora de ver o resultado. Evidentemente que o bando pirata estava naquele local havia alguns dias, então foi possível pensar em tudo e saber o melhor momento. E era esse. 

Ao passar na sala de seu ex-capitão – ela já o considerava assim – viu o jornal diário em cima da mesa. Na capa dizia: Caos em Flevance - O Fim da Guerra Está Próximo. Robin colocou-o abaixo de seu braço e encaixou ao corpo. Além disso, foi para a cabine pegar a única bússola que aquele grupo possuía.

Saindo do navio ancorado e se certificado que todos ficariam desacordados por pelo menos 1 hora, Robin se dirigiu à âncora, puxou as correntes até que tudo estivesse na superfície e então cortou as correntes, extinguindo a única ligação do navio com a ilha. Para tirar todas as chances de alguém caçá-la, usou seus poderes para pegar a ponta da âncora e a cravou na madeira da embarcação. Quando os tripulantes acordassem, estariam aflitos com o náufrago, essa era ideia. Para finalizar, com mais cem mãos e ainda com dificuldade, empurrou o barco da costa e o deixou seguir sem rumo para o mar afora. Sem remorso algum, deu as costas, pensando:

-           Preciso aprimorar mais o hana hana no mi, está sendo muito útil para minha sobrevivência.

--

Andando aparentemente a esmo na ilha deserta, Robin dá apenas mais alguns passos e, abruptamente, para. Ela se abaixa e começa a cavar na terra fofa com as próprias mãos. Seu rosto está lívido e sombrio, olhando atentamente ao chão, à cavação. Em poucos minutos, encontra um baú. Com um sorriso de satisfação no rosto, ela tira os materiais: mantimentos e alguns objetos de sobrevivência. Era hora de fugir. Mas antes tirou seus rastros e resolveu colocar a terra de volta ao buraco.

Com uma pequena pá, que tirou da mochila para fazer o serviço sem que percebessem que foi alterado, ela começa a encher de terra. Robin olha para o buraco e lembra que tem algo para fazer antes de ver aquilo cheio novamente. Tira o caderno da bolsa e arranca a página que tinha escrito. Releu novamente o texto. O amassou e jogou no buraco. Acendeu um fósforo e jogou no papel. Assim que tudo virou cinzas, foi apagando o fogo com a terra e enfim encheu o buraco. 

Terminado o serviço braçal, levantou e seguiu seu caminho, mas dessa vez, lembrando-se das palavras de sua mãe. 

-           A história que herdamos do passado precisa ser passada adiante, pra próxima geração. Senão, ela desaparece. O que Ohara quer não é desvendar a história...Mas, sim, ouvir e guardar as vozes do passado! VIVA, ROBIN, VIVA!

Viver. Eu sei o que é isso? Viver enganando, matando, fugindo e me escondendo. Isso é viver? São seis anos de puro inferno, e não consigo desistir de tentar realizar o sonho de minha mãe, não consigo me desprender do passado. É como se eu tivesse que viver por ela para continuar seu legado. É tudo que tenho, tudo que me restou. Lembranças. 


Após questionar a si mesma, Robin olha à frente e avista seu barco que havia conseguido roubar dos piratas. Ao chegar, entra na única cabine que a embarcação dispõe e coloca os objetos que tirou do baú. Trocou sua roupa para não ser reconhecida, agora usava um sobretudo roxo com capuz, aproveitando a estação de inverno do West Blue. Finalmente começou a navegar. 

Após estabilizar a direção que iria seguir e o próprio barco, trouxe consigo uma fruta qualquer, sentou-se, tirou o jornal diário da mochila e começou a ler a matéria de capa. 

A matéria era detalhada e explicava o começo de tudo e porque a guerra estava nos seus últimos dias. O estopim, de acordo com o jornal, começou quando Flevance ficou isolada do North Blue por conta de uma doença chamada Síndrome do Chumbo de Âmbar. Ao que tudo indicava, o principal negócio da cidade vinha do tal mineral que era usado para as diversas construções mundo afora, mas agora era o motivo de todos da cidade estarem infectados. Os vizinhos e compradores do material temiam que fosse uma doença contagiosa e começaram a boicotar a cidade, que era assolada pela doença venenosa. 

Mesmo com o cenário mais sombrio e terrível possível, os habitantes de Flevance não desistiram e começaram a lutar por suas vidas, travando guerras com seus vizinhos de fronteira. A história sangrenta da ilha se tornou a mais caótica do North Blue naqueles dias, sendo comparada até mesmo à destruição de Ohara.

Robin continuou a leitura e as informações mais recentes do jornal indicavam que Flevance havia sido massacrada, nem crianças foram poupadas. Virou uma terra infértil, deserta, morta. Totalmente morta. 

 Colocando o jornal de lado e avistando o horizonte, fingindo que se preocupava com o tempo ou com algum possível aparecimento de um navio da Marinha, Robin começou a chorar. Por mais que segurasse toda a angústia que subitamente sentiu, ela não conseguiu segurar o choro que foi formado por suas glândulas lacrimais. Não soluçou, não se rendeu ao desespero, mas se sentiu tão solitária como no dia em que fugiu de Ohara, no dia que viu sua terra natal se tornando uma terra morta. Totalmente morta. 

"Alguém sobreviveu?", Robin se perguntava no pensamento. “Alguém, por favor, sobreviveu? Será que há uma alma naquela ilha que conseguiu escapar de algo tão terrível assim? U-uma pessoa como eu...será que esse sobrevivente entenderia o que é solidão? Entenderia o que é ser segregado e expulso de seu lugar?” 

Aqui foi onde tudo começou. O pequeno fio que ligou a Cria do Diabo com o Cirurgião da Morte.

Um choro contido de uma criança adulta não foi sentido e nunca visto pela humanidade. Robin continuou “só” por mais 14 anos. Mas no meio de sua história, ela procurou saber mais sobre Flevance, mas isso...Isso é outra história. 

Capítulo 02 – Visão de Law – Traçando um novo caminho
(História concomitante com o capítulo 768)


*13 anos atrás, na Ilha Minion*

Em seu pensamento, a dor de ter perdido tudo o que lhe restava era imensa demais para ser racional naquele momento. Apenas vinham lágrimas de seus olhos e lembranças em sua mente. Lembranças de ter sido cuidado com tanto carinho por uma pessoa que nunca lhe deveu nenhum tratamento específico. Cora-san acabara de partir, sorrindo em paz por concluir sua missão, missão esta que era ajudar um garoto qualquer que nem merecia estar vivo.



Cora-san... Por que isto foi acontecer com você? Por que fez tudo isto por mim? O que este mundo espera de mim? Eu tenho a Ope Ope no mi, mas não sei utilizá-la, não sei nem o que ela é capaz de fazer. Mas... É isso mesmo. Não posso deixar o sonho de Cora-san morrer aqui, junto de mim. Eu vou descobrir como me curar, como utilizar esse fruto, não vou deixar que sua morte seja em vão, eu prometo.



E olhou para o céu enquanto a neve caía em seu rosto empalidecido pela doença, engoliu o choro e se levantou, procurando o navio que ambos utilizavam para viajar o mundo. Não sabia nem por onde começar, tinha apenas 13 anos. Mas era inteligente o suficiente para saber o básico de navegação. De longe, ouvia tiros de canhão, provavelmente a marinha atacando o navio de Doflamingo, a brecha perfeita para escapar. Um frio que não era vindo do clima lhe percorreu todo o corpo, o ódio em seu coração tomou forma e cresceu, mudando sua feição. Agora, a vingança era o único sentimento atraente que lhe passava em sua mente. Com dificuldade, zarpou daquele conjunto de ilhas amaldiçoadas e foi em busca da ilha mais próxima, Cora sempre fora prevenido e deixara um mapa reserva com ele caso algo acontecesse a algum dos dois.



A próxima ilha se chamava Panton Island. Era uma ilha razoavelmente desenvolvida, com um grande comércio. Não se aproximou muito das alamedas por medo de chamar a atenção, tantas vezes fora tratado como monstro, não seria diferente ali. A fome se intensificou ao sentir o cheiro de um restaurante. Nas portas dos fundos, subiu em um barril e observou pela janela o movimento da cozinha. Por um instante, pensou em tentar um emprego. Mas se lembrou de que não tinha talento nenhum enquanto cozinheiro, vinha de uma família de médicos. E, ao pensar nestas palavras, lembrou-se de sua família, sentiu uma pontada em seu peito e desceu do barril, sentando e abraçando seus joelhos e segurando as lágrimas que teimavam em sair.

A porta se abriu, a figura de um menino magro e loiro apareceu diante dele, jogando restos de comida no caixote ao lado. O menino olhou para Law e o ignorou, fechando a porta novamente. E foi ótimo ter sido ignorado, pois agora ele podia procurar pelas sobras e se alimentar sem ser julgado. Assim que terminou de se alimentar, saiu de perto do restaurante e continuou a vagar pelos becos. Agora seu propósito era buscar uma cura imediatamente, pois seu tempo era escasso e não iria desistir do sonho de Cora-san.

Foi caminhando que, acidentalmente, trombou em grupo de marginais mal-encarados, chegando a cair no chão.

– Hã? O que você faz aqui, pirralho? – indagou o líder do bando.
– Ei, veja o rosto dele. Parece até um monstro das neves! – disse o seu parceiro.
– Realmente, parece mesmo! Olha lá! – o outro apontou com o dedo, rindo em alto e bom som.

Os escárnios não pareciam parar. Law, agora não mais assustado, ficou em silêncio, com o semblante fechado, cabisbaixo. Mordeu os lábios com força e, de ímpeto, gritou com a última força que restava de seu corpo:

– Calem a boca!

Ao gritar, uma redoma azul se formou, circundando todos os envolvidos no ocorrido. Ninguém havia percebido a redoma, pois os rufiões estavam de olhos fechados de tanto rir e Law estava cego de ódio, a ponto de se levantar no mesmo instante e roubar uma adaga de um deles e cortar a sua mão. Mas não houve dor nem sangue, apenas espanto, pois a mão não havia caído, apenas flutuava no ar, enquanto todos olhavam espantados, sem acreditar em seus próprios olhos.

– Mi-minha mão! O que é isso?
– É um fantasma! É um monstro de verdade!

O bandido pegou sua mão de volta e saiu correndo, junto com o bando todo. A redoma desapareceu e a adaga continuava na mão de Law quando ele se deu conta que foi o responsável por toda essa cena.

Então é isso o que a Ope Ope no mi faz? De fato, é isso mesmo. Esta akuma no mi é a fruta da operação. E esta redoma é minha sala de operações. Eu vou me curar arrancando de mim esta doença como um verdadeiro cirurgião. Vou espalhar o medo através da ignorância das pessoas que ficarem em meu caminho. A partir de hoje, eu não sou mais o peão de Doflamingo, eu sou o médico. A partir de hoje, eu sou o monstro que eles tanto temem.

Um sorriso apareceu em seu rosto, não de alegria, mas de satisfação e sadismo. Caminhou lentamente, tirando a capa que cobria parte de seu rosto, pois agora andaria nas ruas, para todos o verem e o temerem. Um jornal voou lentamente perto de seus pés. Abaixou-se e o apanhou. Na capa, uma notícia de uma garota procurada pelo Governo Mundial.

Procura-se: Cria do demônio, Nico Robin. Recompensa: 79 milhões. Se até uma criança pode ser um demônio neste mundo em que vivemos, eu também posso ser um monstro. Cora-san, eu prometo, tudo o que farei daqui em diante será com o propósito de vingá-lo. Vergo, Doflamingo, toda a família Donquixote. Eu me vingarei de cada um de vocês e não descansarei até ver todos vocês destruídos. O médico está chegando, trazendo um rastro de destruição em seu caminho. O cirurgião da morte nasceu.
 
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